Me esvazia,
me seca,
tira a balde
tudo que tem aqui
empoçado.
Me seca.
Me preenche,
me transborda,
me afoga
em sentimentos
novos.
Em novos
sentimentos bons.
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
In certeza
Distraída demais pra ser cientista, decidi optar pela
escrita. Eu a escolhi, acho. O que não significa que também fui escolhida por ela, a recíproca não é uma constante em minha vida. O meu problema talvez, e grande solução, seja a incerteza. Tudo pra
mim é incerto. Tenho dois olhos, e parece que cada um deles, solitariamente, vê
o mundo à sua maneira. Não sei se fui criada pra ver amplamente ou
pontualmente, então fico no incerto. Meio vasto, meio nuclear. Vejo claro a
liberdade, e também se ilumina a ideia de uma vida simples: marido no sofá,
filhos correndo pela sala de jantar, e mulher preparando um agrado para todos
na cozinha. Tem-se certamente uma beleza nisso sim, afinal, existe amor em
tudo. O que não consegui explicar ainda foi essa minha devoção às coisas
singelas, desfalecentes, fracas... Me emociono com velas acesas, luz do fim de
tarde adentrando a janela do banheiro e gotas d’água se chocando contra a minha
pele e ricocheteando em gotículas, quase virando vapor, formando um arco-íris no ar úmido,
ah, esses momentos! Mas também tem as teias de aranha, as pétalas, os tecidos
que se rasgam facilmente. Peles delicadas, pessoas frágeis. A fragilidade. Das
pessoas, do tempo, das verdades, das certezas, do amor... Mas então o grande
paradoxo reside nisso, nisso tudo e em mim, claro. Que vendo com dois olhos
discordantes passei a ver meio torto. O que me amedronta nessas afirmações,
teorias, decisões e escolhas, é isso. Passei quase 2 décadas tentando desconstruir todas
as crenças que nos são legadas - a todos nós, não há como fugir - e então, tudo
que menos quero agora, pode parecer lógico, é não construir mais nenhuma. Coisa
que tenho pavor são dogmas. Mas aí está a dúvida que me atormenta: e alguém
vive sem nenhuma certeza?
sábado, 7 de dezembro de 2013
Engraçado como você está sempre pronto para me arrancar toda
a pose, toda a pretensão e esbofetar minha cara, sem premissas. Mas as melhores
pessoas são essas, não são? As que doem profundo. As que mordem forte, pra
deixar a marca, pra levar tudo o que as pertence no mundo. As
melhores pessoas são essas sim, as que te fazem chorar sorrindo. Porque elas te
machucam como machuca o filho que morde o seio da mãe sedento
pelo leite que não sai. É. Essas pessoas buscam. Todas nós buscamos. E às vezes
alguns seios não conseguem alimentar a nossa fome. E dói não ter o que oferecer
para os convidados quando eles chegam na casa que você arrumou tão bem para
recebê-los. Mas eles tem é fome. É fome que eles tem. É fome que você tem. E só o
que eu tenho pra te oferecer é um apetite ainda maior.
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
Às vezes dá uma moleza nas pernas, uma falta de ar, uma
dorzinha pontiaguda no estômago, como que um anúncio solene de que a alma
precisa descarregar-se. Mas você segura as lágrimas, economiza porque você vai
precisar delas mais tarde. Mas fica, aquele aperto no peito. Fica aquele
zumbido na cabeça. E fica aquela agitação infeliz da alma, o desespero das
coisas que não se pode evitar.
É uma paz angustiada. É um aguardar nem paciente, nem
ansioso, mas um aguardar que gostaria de ser perpétuo, que se consumasse em um
adiar indelével. Você não sabe como, ou quando, mas você sabe que vai
acontecer, e isso é hediondamente doloroso. Só o pensar, o imaginar.
Parece que estamos vivendo sob ameaça constante. No mesmo
momento que tudo parece tão bem, tudo parece estar em sintonia, e que todos já se acostumaram e aceitaram as coisas como elas são... Parece que por
trás, serena e discreta, está sempre uma angústia resguardada. No mesmo instante
que estamos todos inteiros e felizes, estamos todos tristes e despedaçados.
E você me diz que ele chorou. Vocês choraram. Nós choramos.
Até hoje nós choramos, mesmo em meio há tantos risos, e risos sinceros, em
nenhum momento eu fingi estar bem. Mas parece que estar bem é isso. Estar bem é
intrínseco a isso. Estar bem é nunca deixar pra trás o que fomos. É aceitar o
que somos e nunca, nunca nos afastar completamente do que éramos.
O meu momento é de espera
Hoje me prolonguei demais naquele café
Me apego demais à reclusão, é comum
É difícil me concentrar no que eu deveria
Sair do travesseiro dos meus pensamentos
Me desenrolar dos lençóis das minhas reflexões
Eu simplesmente ignoro todos os chamados
e despertadores de divagação
Mas o fato é que
Fiquei ali, assistindo a chuva cair, sozinha
Ninguém por fora
Ninguém por dentro
Tenho estado só.
Mais só do que...
A solidão pura, em essência.
Porque me sei só.
Tenho estado só, universalmente.
Não me acredito mais tendo alguém.
É que a gente sempre quer ter alguém
que dê passos sincronizados aos nossos
Assim como a gente faz, de mãos dadas,
quando crianças...
Sem motivo algum.
E é assim, aparentemente sem motivo,
que a gente cresce
e continua precisando daquilo
Só que metaforicamente.
Mas a solidão ecoa
E é preciso se acostumar.
Me demoro um pouco mais nesse sofrimento
Me prolongo nessa cadeira
Me desenrolo no canto dos pássaros,
satisfeitos como eu com a visita da chuva
Me diminuo
Me planto
Quero brotar
Me apego demais à reclusão, é comum
É difícil me concentrar no que eu deveria
Sair do travesseiro dos meus pensamentos
Me desenrolar dos lençóis das minhas reflexões
Eu simplesmente ignoro todos os chamados
e despertadores de divagação
Mas o fato é que
Fiquei ali, assistindo a chuva cair, sozinha
Ninguém por fora
Ninguém por dentro
Tenho estado só.
Mais só do que...
A solidão pura, em essência.
Porque me sei só.
Tenho estado só, universalmente.
Não me acredito mais tendo alguém.
É que a gente sempre quer ter alguém
que dê passos sincronizados aos nossos
Assim como a gente faz, de mãos dadas,
quando crianças...
Sem motivo algum.
E é assim, aparentemente sem motivo,
que a gente cresce
e continua precisando daquilo
Só que metaforicamente.
Mas a solidão ecoa
E é preciso se acostumar.
Me demoro um pouco mais nesse sofrimento
Me prolongo nessa cadeira
Me desenrolo no canto dos pássaros,
satisfeitos como eu com a visita da chuva
Me diminuo
Me planto
Quero brotar
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Acho que este texto não deveria ter sido escrito
Sinto frio. E calor.
Já dei três voltas na casa.
O quintal é tão amplo.
E eu já não sei mais onde me encaixo melhor.
Se fico no sol, sinto minha pele queimar.
Se sento-me na sombra, minhas mãos doem por conta do frio.
E eu penso que posso lidar com isso.
Mas não sei o que fazer.
Eu preencho meus dias com as músicas que descobri gostar.
E com os filmes que ficaram pra serem vistos.
Mas eu realmente não sei qual é o próximo passo que devo dar.
Três vasos vazios no corredor,
do lado de fora.
Entro. E por dentro é tão vazio quanto por fora.
E tão frio quanto à sombra.
E eu não tenho o que fazer.
Eu acho que queria estar contigo.
Mas sei que essa não é a solução pra tudo.
O que eu faria ao teu lado?
Se eu não sei mais o que fazer de mim.
Penso que poderia ler os livros que comprei, mas não sinto vontade.
E pra quê? Afinal?
Às vezes me parece que estarei infeliz em qualquer lugar.
E penso em todos os lugares que poderia estar
em todas as coisas que poderia fazer
e eu não quero nenhuma delas.
Não tenho um objetivo pra minha vida.
E eu não sei onde posso encontrar minha paz.
Sei que existem coisas lindas a serem vistas,
e essa música, ela é ótima.
Mas parece que tudo perdeu o sentido de ser.
Já dei três voltas na casa.
O quintal é tão amplo.
E eu já não sei mais onde me encaixo melhor.
Se fico no sol, sinto minha pele queimar.
Se sento-me na sombra, minhas mãos doem por conta do frio.
E eu penso que posso lidar com isso.
Mas não sei o que fazer.
Eu preencho meus dias com as músicas que descobri gostar.
E com os filmes que ficaram pra serem vistos.
Mas eu realmente não sei qual é o próximo passo que devo dar.
Três vasos vazios no corredor,
do lado de fora.
Entro. E por dentro é tão vazio quanto por fora.
E tão frio quanto à sombra.
E eu não tenho o que fazer.
Eu acho que queria estar contigo.
Mas sei que essa não é a solução pra tudo.
O que eu faria ao teu lado?
Se eu não sei mais o que fazer de mim.
Penso que poderia ler os livros que comprei, mas não sinto vontade.
E pra quê? Afinal?
Às vezes me parece que estarei infeliz em qualquer lugar.
E penso em todos os lugares que poderia estar
em todas as coisas que poderia fazer
e eu não quero nenhuma delas.
Não tenho um objetivo pra minha vida.
E eu não sei onde posso encontrar minha paz.
Sei que existem coisas lindas a serem vistas,
e essa música, ela é ótima.
Mas parece que tudo perdeu o sentido de ser.
terça-feira, 23 de julho de 2013
Essa é, com toda certeza, a separação mais dolorosa da minha vida.
Você me entregando a sua chave de casa, levando consigo todas as coisas tuas... A casa ficou tão vazia. Os quartos. A sala. A cozinha. O guarda-roupas. O quintal. Os banheiros. E o meu peito. Eu não posso explicar o tamanho do vazio que se abriu em meu peito.
Eu fico imaginando a falta que você vai fazer aqui, e é inimaginável. Não dá pra mensurar. Não dá pra dizer a dor que eu sinto em pensar em não te ver mais quando eu chegar de um dia horrível lá fora, e não te tiver aqui pra me perguntar se eu estou bem. E não te ter aqui pra reclamar da minha cara feia, ou de mim trancada no quarto quase o tempo todo. Eu ficava mesmo. Mas você vir aqui, toda hora abrir a porta, perguntando se eu iria comer, ou abrindo a porta só pra me olhar mesmo... Era, sabe? Maternal. E nada substitui isso.
Eu sei que a gente vai continuar se vendo. E que agora eu tenho uma nova casa. Mas, eu não sei se consigo lidar com esse vazio. É amplo demais. É sem você demais. E você era tudo aqui. Você era a alma dessa casa. Sempre foi. Por mais que você não entendesse isso.
Eu nunca aceitei bem perder as coisas na minha vida. Eu sou o tipo de pessoa que não sabe aceitar perdas. Não sabe lidar muito bem com mudanças. Eu lembro de certa vez na minha infância, quando perdi uma pulseirinha que gostava muito, eu fiquei extremamente frustrada. E não sabia aceitar que eu tinha simplesmente perdido aquilo. Eu gostava tanto! E estava ali, sempre que eu quisesse usar, então, de repente desapareceu. Eu poderia comprar outra, mas eu queria aquela. E procurei em todos os lugares do quarto, mesmo sabendo que ela não estava em lugar nenhum. Eu procurei incansavelmente, com esperanças infindas. Não encontrei. Fiquei triste. Sonhei algumas vezes que achava ela, sem querer, em algum lugar... E era só uma pulseira! Então não preciso nem explicar o que ocorre quando perco pessoas. Quando pessoas que estão todos os dias aqui, se vão. Pode não ser pra sempre, pode não ser uma perda total. Mas as coisas mudam muito com uma mudança pequena. Tudo muda. E eu não posso aceitar. Não me peçam pra aceitar isso, porque eu não posso. Eu não posso aceitar que o tempo, ou a distância, ou a vida me tire as coisas que amo. Porque eu não sei perder. Não sei! E não saber não tem conserto. Não saber não tem solução. Podem dizer que é o melhor, que no futuro eu vou olhar pra trás e perceber o porquê das coisas terem seguido esse rumo, mas isso não me consola. Isso não facilita. Isso não traz de volta.
Eu quis não te deixar ir, só Deus sabe como eu quis te abraçar e implorar "fica, fica porque eu preciso de você". Porque eu preciso mesmo. Mais que do que de todas as outras pessoas que eu nunca soube deixar ir. Você é tudo que eu tenho, aliás, você é a única coisa que eu tenho na vida. E só por isso eu me calei. Eu te ajudei a levar as malas. A ir embora. A me deixar aqui, SÓ. E puta que pariu, só agora eu sinto de verdade o que é ser só. Mas eu tive que te deixar. Porque eu te amo tanto, mas tanto, que eu só quero te ver bem, nem que pra isso eu precise ficar longe de você. Mais que tudo nessa vida, eu só quero te ver bem, eu só quero que você seja feliz. O ser humano mais feliz do mundo. Por tudo. Porque eu só existo por tua causa, e pra você, só pra estar aqui te desejando, com todas as forças do meu ser, felicidade e paz. Obrigada por tudo, pela minha vida, e pelo que eu sou, eu devo TUDO à você.
More than anything I want to see you, girl
take a glorious bite out of the whole world.
Você me entregando a sua chave de casa, levando consigo todas as coisas tuas... A casa ficou tão vazia. Os quartos. A sala. A cozinha. O guarda-roupas. O quintal. Os banheiros. E o meu peito. Eu não posso explicar o tamanho do vazio que se abriu em meu peito.
Eu fico imaginando a falta que você vai fazer aqui, e é inimaginável. Não dá pra mensurar. Não dá pra dizer a dor que eu sinto em pensar em não te ver mais quando eu chegar de um dia horrível lá fora, e não te tiver aqui pra me perguntar se eu estou bem. E não te ter aqui pra reclamar da minha cara feia, ou de mim trancada no quarto quase o tempo todo. Eu ficava mesmo. Mas você vir aqui, toda hora abrir a porta, perguntando se eu iria comer, ou abrindo a porta só pra me olhar mesmo... Era, sabe? Maternal. E nada substitui isso.
Eu sei que a gente vai continuar se vendo. E que agora eu tenho uma nova casa. Mas, eu não sei se consigo lidar com esse vazio. É amplo demais. É sem você demais. E você era tudo aqui. Você era a alma dessa casa. Sempre foi. Por mais que você não entendesse isso.
Eu nunca aceitei bem perder as coisas na minha vida. Eu sou o tipo de pessoa que não sabe aceitar perdas. Não sabe lidar muito bem com mudanças. Eu lembro de certa vez na minha infância, quando perdi uma pulseirinha que gostava muito, eu fiquei extremamente frustrada. E não sabia aceitar que eu tinha simplesmente perdido aquilo. Eu gostava tanto! E estava ali, sempre que eu quisesse usar, então, de repente desapareceu. Eu poderia comprar outra, mas eu queria aquela. E procurei em todos os lugares do quarto, mesmo sabendo que ela não estava em lugar nenhum. Eu procurei incansavelmente, com esperanças infindas. Não encontrei. Fiquei triste. Sonhei algumas vezes que achava ela, sem querer, em algum lugar... E era só uma pulseira! Então não preciso nem explicar o que ocorre quando perco pessoas. Quando pessoas que estão todos os dias aqui, se vão. Pode não ser pra sempre, pode não ser uma perda total. Mas as coisas mudam muito com uma mudança pequena. Tudo muda. E eu não posso aceitar. Não me peçam pra aceitar isso, porque eu não posso. Eu não posso aceitar que o tempo, ou a distância, ou a vida me tire as coisas que amo. Porque eu não sei perder. Não sei! E não saber não tem conserto. Não saber não tem solução. Podem dizer que é o melhor, que no futuro eu vou olhar pra trás e perceber o porquê das coisas terem seguido esse rumo, mas isso não me consola. Isso não facilita. Isso não traz de volta.
Eu quis não te deixar ir, só Deus sabe como eu quis te abraçar e implorar "fica, fica porque eu preciso de você". Porque eu preciso mesmo. Mais que do que de todas as outras pessoas que eu nunca soube deixar ir. Você é tudo que eu tenho, aliás, você é a única coisa que eu tenho na vida. E só por isso eu me calei. Eu te ajudei a levar as malas. A ir embora. A me deixar aqui, SÓ. E puta que pariu, só agora eu sinto de verdade o que é ser só. Mas eu tive que te deixar. Porque eu te amo tanto, mas tanto, que eu só quero te ver bem, nem que pra isso eu precise ficar longe de você. Mais que tudo nessa vida, eu só quero te ver bem, eu só quero que você seja feliz. O ser humano mais feliz do mundo. Por tudo. Porque eu só existo por tua causa, e pra você, só pra estar aqui te desejando, com todas as forças do meu ser, felicidade e paz. Obrigada por tudo, pela minha vida, e pelo que eu sou, eu devo TUDO à você.
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