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segunda-feira, 15 de julho de 2013

fui um copo

Me doeu um pouco pensar agora, ao ouvir essas músicas intituladas como "sentir-se bem", que sempre me remetem a algum momento no qual eu, de fato, me sentia bem ao ouvi-las. Foram várias as vezes, e de vez em quando eles caem no assoalho da minha memória, sabe-se lá de onde, sabe-se lá por que, mas caem fazendo estrondoso barulho.
Tudo para, e eu revivo aquele momento. O carro, a estrada, duas ou três horas da manhã, e a gente fazendo o que você sabia fazer de melhor, nos sentindo bem. Você cantava e dançava enquanto dirigia, e eu não conseguia me mexer, só te observava e ria, com uma necessidade enorme de registrar aquele momento, pra poder fazer isso que faço agora, lembrar minuciosamente, de cada detalhe, cada sensação.
Mas o curta de nós dois não dura muitos minutos, então a lembrança se dissolve como fumaça... E fica só a música, e o não sentir-se tão bem, dessa vez. E eu me pergunto: por que temos de ser descartáveis na vida das pessoas? Por que temos todos esses momentos bons compartilhados, e depois, sem mais nem menos, nos tornamos um não-sei-o-quê-mas-não-faz-diferença a ser evitado? A gente quase se conheceu, e aí... Fim de linha. Acabou. Você é você, eu sou eu, e aqueles lençóis que secaram o nosso suor, eles não podem dizer que são testemunhas de nada. E as palavras que usamos um com o outro, bem, elas não podem falar sozinhas. Nada foi sólido. Nunca será. E a gente pode simplesmente seguir e dizer quando falarem nossos nomes "ahh, sim, conheço" da mesma maneira que falamos daqueles que vimos na rua, uma vez. Que coisa terrível de se dizer, mas é verdade. Me sinto feita de plástico, usada e jogada fora... Como um copo descartável mesmo. Fui pouco mais que um copo na sua vida, com a diferença de que eu não posso ser reciclada. Eu vou remanescer aqui, poluindo o ambiente.

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