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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

noticiário;

Passava na tv uma reportagem qualquer, eu nem sequer assistia, mas virei-me mecanicamente no instante em que relatavam um acidente com um "trem" (mas de fato, era um bonde).
- Que bonito! Um tremzinho. Eu não sabia que existiam trens aqui!
Disse zombando, logicamente que estava ciente da existência de tal meio de transporte no meu país, apesar de incomum, mas zombava meu próprio desgosto por morar em um lugar que nunca me pareceu histórico, interessante e encantador o suficiente.
- Agora não existe mais. Você descobriu muito tarde!
Minha mãe falou. Apenas um comentário, descomprometido. Como quem prosseguia com o ar brincalhão e zombatório da "conversa".
Era sempre assim. Eu soltava, sem sequer pensar, um comentário sobre uma coisa aleatória, sem um motivo qualquer, apenas para fingir que pensava em outras coisas e que me interessava por outros assuntos. Mas eu sempre terminava, invariavelmente, de volta ao princípio. Em meu único pensamento. Era quase uma doença. Uma quase loucura. Fixação.
Ela, com esse comentário inocente sobre o meu descobrimento tardio do encantador tremzinho, fez-me refletir sobre tudo o que eu havia descoberto fora de tempo, tarde demais, protelei, adiei, e quando já não havia mais como, ignorei e tentei disfarçar... E quando vi era simplesmente tarde demais. Depois demais. Já não havia chance. Já não havia voz. Já não haviam forças, todas já haviam se esgotado em lágrimas dolorosas do calar-se por não ter mais à quem dirigir a palavra.
Eu apenas queria ter dito, enquanto era tempo, o quanto te amei.

Um comentário:

  1. É... adorei seu post!
    Diga sempre eu te amo!
    Faça tudo o que quiser!
    Não tenha medo de arriscar!
    Viva intensamente sempre!!!!!

    Abrs,

    Marcinha Lamounier =)

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