Pages

domingo, 19 de agosto de 2012

Por que não há mais ninguém assim?


Eu aqui, da minha janela, entre um filme, uma música ou um livro, e nada, me pego levantando questões inquietantes ao universo.
Por que nós? Somos tão diferentes, tão absolutamente desiguais.
Por que nós? Por que não podemos estar um ao lado do outro. Por que não podemos nos ajudar? Nós que conhecemos tão bem um ao outro, e ainda não o suficiente, e nunca. Só nós.
Eu, que nenhum outro alguém jamais conheceu, além de nós. Por que manter afastado a coisa que mais me fazia bem em todo esse gigantesco universo? Meu bem, eu queria ser um indivíduo qualquer, que se encontra contigo nos sobe e desces do elevador do teu prédio, e queria apenas conversar com você, e que pudéssemos ter quaisquer divagações. Eu só queria poder ouvir você falar, expor suas idéias. Em todas as viagens eu poderia me manter calada, em todas elas, eu só queria te ouvir, explorar tua mente, tuas idéias... Ir profundo. Ou raso. Ou nem ir. Só ouvir. Nem que fosse uma gargalhada provocada pelo incomodo da falta do que dizer.
Eu só me sinto cansada, saturada dessas pessoas rasas. Dessas mentes pequenas. Eu me sinto sufocada por assuntos que já não suporto mais. Por mentes conflitantes. Por personalidades distorcidas. Gente que quer a todo o custo ser melhor, sendo o pior.
Você é meu refúgio quando tudo e todos nesse mundo me fazem descrer. Meu esconderijo na antiga sebe. Eu sou Sofia, e você o meu filósofo. Você é o lugar que eu chamaria de lar no mundo. É a quem recorro, mesmo sem dirigir-lhe a palavra. Você é o meu mestre, o que mantem o meu interesse pela vida. É como se todos estivessem no fundo da pelagem do coelho e apenas nós dois na extremidade, vendo toda a beleza do universo. É egoísta. É preconceituoso. Mas é como se apenas nós pudéssemos ter a visão mais bela do pico de uma montanha, e você foi quem me levou até lá.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Amar já está muito mainstream

Preciso de alguém pra encher de carinho,
de beijinho,
de mimo,
pra despejar todo o meu amor,
pra nunca causar dor.

Preciso de alguém pra olhar nos olhos,
ver o mar,
e me acalmar.

Me sentir no meu lugar no mundo.
O único em que eu desejaria estar,
de todo o universo,
meu berço.
Meu canto,
meu acalanto.

Alguém que eu aninharia no meu colo
como o filho que nunca tive.
Alguém para quem eu daria o meu melhor.
Essa tal parte de mim, que já até esqueci de como é.

O ser para o qual eu arrancaria meu coração
e deixaria em suas mãos,
caso ele decidisse me deixar.

Eu quero mais que amar.
Cansei de amar.
Eu quero dar amor!
Preciso de alguém que apenas precise de mim.

domingo, 29 de julho de 2012

Não se desespere, menina. A realidade não pode te engolir.

"às vezes tudo é tão rápido que eu me esqueço que estou ali, vivendo."
Preciso aprender a contar os passos, dar um de cada vez, preciso aprender a ter paciência. Preciso aprender a respirar (pausa), expirar (pausa). Nada é pra ontem. É tudo para se saborear, sentir o aroma, o gosto da primeira mordiscada, o da segunda, já com precedentes do sabor do elemento. O terceiro, o quarto, e assim ir mudando de opinião a cada nuance. Achando mais adocicado, mais amargo, mais azedo quem sabe. Preciso saber saborear cada partícula, cada momento, sem sair atropelando tudo, metendo os pés pelas mãos. Sem medo do gostinho rançoso que fica na boca, como o que deixa um gole antigo de café.  
É isso. Às vezes eu me complico. Me desespero no pensar. Me angustio no sentir. Me perco no raciocínio. Tropeço nos meus passos. Mal consigo respirar. É drama. Coisa de pseudo-poeta, pseudo-filósofo, pseudo-vivente que se perde nas ideologias, que não alcança o ritmo dos giros do mundo. Que se perde quando atravessa o portal do imaginário, mal consegue manter-se de pé nos territórios da realidade. Eu ainda não aprendi a viver no mundo real, essa é a verdade. Eu não sei sentir no mundo real. Eu murcho. E fujo, eu volto correndo pro meu casulo, minha carruagem de abóbora, meu boteco lilás, meu casino com jukebox tocando a trilha sonora do filme "Vivre Sa Vie", do Godard. 
Existe um momento de êxtase, precedido por um longo período de ansiedade e preparação do espírito. Então o momento de êxtase se vai, e é como se o filme continuasse, sem cenário, sem trilha sonora, sem personagens coadjuvantes, é só você e o público. Então você se perde no enredo. Eu me perco. Perco o fio  da meada, mas não deveria. Tudo continua ali, o espaço, o tempo, as possibilidades, e a mente para que se possa construir tudo novamente, do zero. E que se crie um novo cenário. Uma nova trilha sonora. E que a história se desenrole, com adaptações ou não. Mas mantendo-se a calma.

Queria que desse "certo"

Foi o dia em que a gente discutiu? Foi por conta do meu temperamento ruim e do meu alter ego explosivo e aborrecido? Foi o café que estava sem doce ou muito amargo? Foi por causa do meu nervosismo ao pedir remissão? É tudo culpa da minha personalidade dramática, com enorme propensão ao exagero?
Ou foi só por ser eu? Por rir demais quando estou nervosa. Por ser séria quando quero guardar algo pra mim. Por ter lapsos de memória toda vez que tenho a intenção de fazer alguma citação interessante ou apenas dizer algo que vá te agradar. Foi por conta de quê? Por que gosto de usar vestidos? Por que tenho enorme dificuldade em decorar nomes? Por que minha consciência sempre pesa quando jogo lixo no chão? Por que não lembro das coisas? Por que sou prolixa? Por que sempre gaguejo procurando em todo o meu singular campo lexical a palavra que mais se adeque ao que quero expressar?
É por que sou melhor escrevendo do que falando? É por conta das minhas cicatrizes? Por conta do meu humor sem graça, minha lentidão de raciocínio? É por que tenho autoconfiança na ausência dela? É por que sou inexperiente? Por que aprendi a caminhar agora? É por que gosto de mãos? Vamos lá, me diga.
É por conta da minha mania de ficar mordendo a pelezinha que se desprende do meu lábio? É por causa da minha dificuldade em ser espontânea? É por que levo tempo para me sentir confortável na presença de pessoas? Por que só consigo me expressar corretamente com certo nível de intimidade, e por que eu não vejo graça na maioria das coisas que os outros vêem? É por que uso o mesmo pingente de coração de pedra azul há anos? Por que é?
É por que eu gosto muito de literatura? Por que vivo num universo paralelo, num mundinho singular, com unidades individuais de felicidade. É porque meu universo fantástico é funesto, e porque eu adoro essas coisas pra chorar, não é?!
 É por conta da minha introspecção? Das minhas viagens e da minha volatilidade? É por que sou sensível demais? Por que sou indecisa mesmo sabendo exatamente o que eu quero? É por que tenho pudor desnecessário?
É por que no fundo no fundo, mesmo gostando de você, te acho estúpido? E por que ainda assim insisto em ouvir todas as estupidezes que você tem a me dizer? É por que tenho pensamentos paradoxais em excesso? Ou por que não temos nada em comum, afinal?!
É por que não gosto do que gostas? Por que nossos odores se diferenciam? Por que eu espero de mais? Ou por que você esperava mais?
É por que o beijo é bom? É por que sou comedida? Por que me preocupo o tempo inteiro?

É porque eu queria algo mais palpável. Eu queria solidez. Efetividade. Um olhar firme, um sentimento substancial. Um momento ébrio de pura lucidez. Mas e você? Essa é a verdadeira questão. O que você realmente quer?

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Escrevi pra ver se assim conseguia chorar, botar pra fora

Eu me sinto no chão. Não, eu não me sinto em lugar nenhum. O solo seria muito pra mim, nele eu me sentiria integrada, me sentiria fazendo parte de alguma coisa. Agora eu não me sinto nada, não me sinto integrada nem ao vazio. Eu me sinto podre. Eu me sinto só. Mais só, mais vazia, mais podre, e mais nada do que nunca. Nem mesmo nos momentos mais difíceis da minha vida me senti assim.
Onde foi que eu perdi o ritmo? Onde foi que eu deixei tudo que eu acreditava? Onde foi que eu me perdi, pelo amor de Deus, eu me preciso de volta. Eu já não consigo mais assim. Onde foi, nesse terreno íngreme e disforme que dentre tantos tropeços ouve um do qual eu não consegui mais me levantar? Eu preciso voltar lá. Preciso parar de rastejar.
Eu não me vejo mais como algo pra ninguém. Eu não me vejo como ninguém. Eu... ?
Eu que sempre tive com quem contar, sempre achei que alguém, alguma alma dessas tantas que existem no mundo me amasse, agora me sinto absolutamente sem amor. Me sinto incapaz de despertar qualquer sentimento bom em alguém.
Eu não tenho ninguém com quem eu possa contar agora. Ninguém que vá me ouvir, ninguém que vá me entender.
Que solidão é essa?
Eu errei, e foram tantos erros que eu nem sei como consertar. Eu estou no lugar errado. Aleatória. Avulsa. Sozinha. E eu não consigo me adequar. Eu só queria saber onde estou errando... Era pra tudo estar perfeito, como há 3 dias atrás, e agora... E agora?

-

PS. Algo que você escreve neste estado não pode sair bom, perdoem-me.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

some trip

                               

Sentados em roda, perninhas de índio, olhavam o céu, imaginavam formas nas nuvens. Riam como se nenhum dos acontecimentos da vida os pudessem atingir. Brincavam no parque, faziam contato com a natureza. Eram crianças, faziam fumaça com seu novo brinquedo. E riam. E pensavam pensamentos que se perdem com o passar do momento, fugazes, imediatos. Era a infância. Quem é que se lembra o que se pensa quando ainda não se passou da idade dos cinco?
Faziam o caminho de volta pra casa, brincavam de quem chega primeiro, corriam para não ser a mulher do padre, trapaceavam, gritavam de medo, como se um monstro pudesse se esconder em algum lugar - e podia, mas eram inocentes demais naquele momento para temer riscos reais - e riam.
Mas ao chegarem na cidade, ao pisarem no asfalto, ao serem iluminados pelas luzes dos postes, sobriedade lhes era cobrada. Voltavam à si, ou pelo menos, ao que foi feito deles. Seus passos eram sincronizados, suas bocas fechadas, eram quase máquinas. Agiam conforme lhes era requerido, agiam como adultos. E suas sombras de fato se alongavam, como se há muito tempo já tivessem deixado de ser criança. E seguiam, como a sociedade em que viviam lhes exigia... Voltavam para suas rotinas, deixavam de lado sua liberdade, prendiam-se, controlavam-se, mediam seus atos para não fazer o que tinham vontade ou o que, supostamente, não deviam. Mas enquanto andavam rumo ao que nos consome e nos devora, deliciavam-se com as lembranças de um momento incrível, que passava, e não deveria ser lembrado.

-

PS. A imagem complementa o texto, embora queiram dizer coisas diferentes. Ela adiciona algo de suma importância que não foi dito.