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sexta-feira, 22 de junho de 2012

Só o fiz

O barulho de um grilo solitário
em seu cantinho solitário
em algum lugar de um mundo solitário
em um universo solitário
E eu penso no silêncio que faz.

E eu me questiono,
ele sabe o por que de sua guizalha?
Ou o faz, por puro e simples dever?
Todas as noites, sem cessar?
E o agrada cantar?
Tritinar?

A solidão de um cigarro,
uma xícara de café frio,
uma janela,
o zunido do gerador do prédio vizinho,
de um grilo,
o barulho do silêncio da cidade adormecida.
De cada luz apagada.

Canto a minha canção silenciosa,
de uma mente em descanso
que nunca pára seu guizalho.
É vazio. Amplo. Inatingível. 


A gente deve e faz, 
faz porque gosta, 
faz por puro dever. 
Todas as noites, sem cessar. 
E nos agrada?


Mas todas noites eu penso,
porque é quase calmo,
as idéias quase fluem
sem se cruzar, 
se embaraçar, 
se perder, 
sem perceber... 


Quantas vezes não pensei,
e esqueci. 
E quando deveria pensar
e pensei demais,
findei por não pensar,
só senti. 


Às vezes a gente nem sabe o que pensa.
Só o faz.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

I really thought this feeling would last for ever

But maybe, I was just feeling in the wrong way, in the wrong time...

When everything goes, with the river's way

Não era pra ser, mas eu queria que fosse, então essa é a parte estranha. Porque era, e é tão estranho querer algo que não fosse você. Aquele sentimento, era como se eu fosse aquilo, toda aquela dor era eu. E eu lutei para mantê-la, apesar de querer não sentir mais dor, eu tentava mantê-la como algo que desse sentido pra tudo que eu não encontrasse um. E agora eu me sinto... Tão sem sentido. Amar aquilo era tudo que eu conhecia, tudo em que eu pensava, tudo que eu queria, tudo que eu sonhava, era minha verdade, e minha mentira, e meu tudo, e se foi... E como? E quando? E por que motivo? Como consequência de quê? E se iria se esvair por que demorou tanto? Por que se fez meu cais? E meu martírio? Minha fé e minha descrença?
Foi como água em ebulição. Ferveu, à cem graus centígrados, sem tempo para descanso, as moléculas se agitaram, sem parar, tão veementes que tornaram-se sonoras. E ardeu, transbordou. E não parou de ferver, ferveu por todo o tempo, evaporando, molécula por molécula, até secar.
Ficou vazio. Mas mesmo sem água, permaneceu o calor.
E então, de repente, eu já queria outra coisa. E por quê? E desde quando? E eu queria mesmo? Talvez fosse só confusão... Temperatura muito alta...
Confusão por ter um coração que é feito para amar, sem ninguém para dar amor. Um buraco que suga tudo que primeiro surgir, para preencher-se.
Eu só não sei ser seca. Eu só não aprendi a ser vazia. Preciso de algo aqui, preciso querer algo. Sonhar com algo. Amar. Ferver. Borbulhar. Ebulir!

quinta-feira, 8 de março de 2012

Admirável sentimento

Houveram diversos acontecimentos novos na minha vida nos últimos dias. Coisas ruins, muito ruins, sustos grandes, muito grandes. Minha rotina mudou completamente. E o que me rodeia, de certo modo, também.
Recebi uma atenção e um carinho inimaginável de pessoas queridas depois do acidente que me ocorreu. O que fortaleceu meu sentimento por muita gente. Me senti amada, de verdade, e isso é tão bom que até parece que esse foi o único sofrimento que valeu a pena de verdade na minha vida...
Mas hoje recebi uma visita especial, uma pessoa que há longa data faz parte da minha vida, e caramba... Já passamos por muita coisa juntos. Houveram momentos bons, momentos estranhos, momentos ruins, momentos péssimos, houve dor inclusive, e já ficamos um bom tempo sem nos falar também. Mas era genuíno, o que sentíamos um pelo outro. Apesar de nossa história ter envolvido muitas traições, mentiras, trapaças, e ter machucado muita gente, o que restou no final de tudo foi uma coisa linda, um amor, um carinho, restou o licor, o sumo, a melhor parte de um todo. Ficou o que era realmente bom. O elixir.
Sabe quando você sente verdade em alguém? A gente pode sentir quando alguém realmente gosta de nós. E não é interesse, e não é só simpatia, e não é fingimento. Sentimos o carinho transmitido em pequenos atos quando ele existe de verdade. Há um fluxo de coisas boas vindo da pessoa que gosta de nós, quando é verdeiro. E isso faz bem. Sem interesse, sem esperar por mais, sem egoísmo, sem nada além de um sentimento genuinamente bom, energias boas, paz.
É isso que acontece quando o Guilherme aparece, eu creio que nunca o "amei" como homem, com desejo carnal, ou qualquer coisa do tipo, ele nunca chegou a ser o "amor" da minha vida. Mas eu o amo, nós nos amamos, de uma forma diferente. É como um amor de irmão. Ele me traz alegria, paz, ele me faz sentir bem e confortável como só se sente ao lado de alguém que nutri por nós um sentimento muito bom.
Nunca pensei que seria assim um dia, vivemos muitas coisas, que não podem ser comparadas com o que vivo agora, e o que vivi com outras pessoas, mas ainda assim foi complicado, imaginei vários fins, e nunca esse. Nunca pensei que poderia me sentir tão bem em ter alguém especial assim. Alguém que sempre se importa. Alguém que sempre me quer bem. Nunca pensei que existisse tamanha paz em um sentimento.
E é isso, um amor lindo, puro. Sem interesse. Amor. No final de tudo, a melhor coisa.

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É uma postagem diferente, e meio que parece que estou escrevendo em um diário, mas eu não sabia como abordar esse assunto porque eu não penso muito sobre isso, só que eu precisa expressar esse sentimento. Escrevo para expressar coisas bonitas que existem dentro de mim, na maioria das vezes, e essa é uma coisa linda, eu não podia deixar passar, relevem a abordagem ruim e possíveis erros ortográficos, e considerem o sentimento que eu quis retratar, que é o mais importante.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Fiz as pazes com a vida

O céu está tão estrelado esta noite, uma noite magnífica... Estou cá em minha janela, como de costume, saboreando um dos meus últimos cigarros. Queria poder gravar a imagem desse céu, queria lembrá-lo para sempre, ou pelo menos, ficar aqui a admirá-lo interminavelmente. Mas esse momento, como todos os outros na vida, não vai durar muito, é lindo mas terá de acabar para dar lugar ao brilho reluzente do sol, e então virão outros, diferentes, talvez até parecidos com este, talvez não tão belos mas outros, preenchidos por outros sentimentos e terão outros gostos, outros cheiros, por fim outra eu os estará admirando com um novo olhar...
As coisas tem dado bem erradas na minha vida esses dias, mas como dizem, algumas coisas precisam dar errado para que tudo se acerte como deve ser.
Meu coração se esvazia a cada dia, me sinto tão mais leve agora. Não que tenha sido essa a leveza pela qual tanto esperei... Minha maior pretensão nunca foi deixar de amar e me tornar vazia como já fui tantas outras vezes na vida, mas sabe... É bom olhar esse céu sem ser através de olhos embaçados, sem ter um nó na garganta, sem ter um peso sobre minhas costas que eu mal possa suportar, e é bom respirar com essa leveza...
Me sinto avançar de novo em direção à um horizonte desconhecido, estou de pé, acima de tudo que tem dado errado. Estou caminhando sob os destroços.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Something good after you

É incrível como só consigo notar que estava feliz depois que o momento já está fora do meu alcance. Eu lia uma estória, quando notei.
Eu vivi algo belo recentemente. Tive dias de terna alegria, ao lado de alguém cujo qual me fazia sentir também muito à vontade, fui cativada, por todos os nossos dias agradáveis um ao lado do outro... Eu consegui mais uma vez ser quem sou. E ele sempre me fez sorrir, independente de como eu me sentia no dia, e eu o fazia rir também. Foi mútuo e belo o que tivemos, nós nos fazíamos bem sem cobrança, sem envolvimento demais, sem querer controlar um ao outro... Nós éramos livres, porém, estávamos juntos. Nunca houve exclusividade, nem brigas, nem disputas, ele era o suficiente pra mim e eu suficiente pra ele, sem ser necessário nenhum tipo de imposição. E acabou, naturalmente, faz poucas semanas, ou um mês talvez. E é incrível como a lembrança dos dias bons não incomodam... E como acabou sem parecer um fim, sem causar dor, sem uma separação cheia de traumas, sem se fazer necessário um adeus ou um "não quero mais"... Só acabou.
Por que todas as coisas não são assim, simples? Por que há coisas na vida ou pessoas que não aceitamos deixar partir nunca? Por que algumas lembranças boas doem? Por que? Por que alguns finais precisam ser tão tristes? Por que precisam existir finais como pontos e não vírgulas? E por que existem coisas que persistem em ficar quando já se passou tanto tempo, e persistem em machucar, por que elas simplesmente não passam, como tudo na vida?

Tudo é muito diferente quando você aprende o que é amar alguém...

"Os homens - disse o pequeno príncipe - embarcam nos trens, mas já não sabem mais o que procuram. Então eles se agitam, sem saber para onde ir. E isso não leva a nada..."
Eu já havia lido Antoine de Saint-Exupéry algumas outras vezes quando pequena, mas vê-se as coisas muito diferentes quando já se amou alguém, quando já se foi cativado, quando se compreende o que é o amor... "Tu, porém, terás estrelas como ninguém nunca as teve..."
E então, desta vez, a linda história que sempre me arrancou lágrimas fez ainda mais sentido... E me consolou (a gente sempre se consola) rs.
"O sentimento do irremediável me fez gelar de novo. E eu compreendi que não poderia suportar a ideia de nunca mais escutar aquele riso. Ele era para mim como uma fonte no deserto.
- Meu caro, eu quero ainda escutar o teu riso...
Mas ele me disse:
- Faz já um ano esta noite. Minha estrela estará exatamente sobre o lugar aonde cheguei no ano passado...
- Meu caro, essa história de serpente, de encontro marcado, de estrela, não passa de um pesadelo, não é mesmo?
Mas ele não respondeu à minha pergunta. E disse:
- O que é importante não se vê...
- Sim, eu sei...
- É como com a flor. Se tu amas uma flor que se acha numa estrela, é bom, de noite, olhar o céu. Todas as estrelas estarão floridas."
"Já se passaram seis anos [...] Agora me conformei um pouco. Mas não completamente."
"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar..."