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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Tropeços

Eu dou sempre dois passos à frente e três pra trás... É incrível mas nunca consigo me manter de pé por muito tempo, eu tropeço, levanto, e quando penso que já me equilibrei eu apenas tropeço mais uma vez :/
Eu queria me manter estável, eu queria achar forças em algum lugar pra me segurar firme, mas eu nunca encontro, só encontro mais pedras e pedras no meu caminho. Talvez eu só esteja seguindo o caminho errado, mas qual seria o certo? Eu não encontro luz em nenhum dos rumos que olho, eu só vejo escuridão. Estou sempre fazendo escolhas erradas, e até mesmo quando evito escolher, eu erro. É sempre assim, um erro atrás do outro, e todos esses erros tem como consequência a regressão. Eu não consigo mais progredir. Estou tão cansada, tão cansada de tudo.
Eu não sei em que parte eu deixei o meu pedaço imprescindível, eu não sei em que parte deixei minha consciência, a minha capacidade de ser feliz, eu não sei em que parte eu fiquei, só sei que não estou mais aqui, eu me perdi tantas vezes, em tantos lugares, que não sei mas nem como e nem onde me achar. Eu não sei sequer o que eu quero...

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Eu gosto de janelas

Eu gosto de lacunas. Gosto de observar de dentro o que se passa de fora, e de observar de fora o que há por dentro.
Eu gosto de saídas de escape. Gosto de lugares em que se possa entrar, seja qual for a maneira.
Eu gosto de observar sem ser vista. E gosto de ficar admirando em silêncio.
Eu gosto do olhar afastado de quem deseja, sem poder.
Gosto de quadrados e retângulos, e dos números pares de seus lados correspondentes.
Eu gosto de descobrir o que existe do outro lado das janelas, e gosto de fechar janelas, e de ver através delas.
Gosto da visão única que se tem das janelas, essas visões que ficam marcadas em nossa memória, como um último adeus, uma última olhada.
Pode não parecer importante, e pode ser apenas mais uma das coisas que eu amo, tratando-se de você. Mas ainda assim preciso dizer, sempre amei suas janelas.

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Esse post eu dedico ao menino Regis, como prometido, demorei um pouco, mas cumpri ♥ Obrigada por me honrar com tua leitura!

talvez isso defina a minha paz

"... eu gostaria de me deitar ao teu lado, às duas da manhã, quando já não houvessem mais frequentes transeuntes à nos incomodar. Deitaríamos sob um céu estrelado e observaríamos as estrelas, uma à uma. Dividiríamos um cigarro e conversaríamos de forma agradável - não uma daquelas conversas que temos quase que por obrigação com semi-conhecidos, nas quais se dizem coisas sempre óbvias e inúteis apenas para que se abafe o incômodo do silêncio, que constrange ao invés de acolher. Mas algo íntimo o suficiente para que se partilhem palavras que fluem de uma parceria entre o cérebro e o coração, com uma facilidade quase natural - daquelas conversas, sabe, em que quando houver silêncio, ele não incomode.
Como aqui não existem muitos gramados nos aninharíamos em qualquer quadrado de concreto mesmo, e se ventasse forte nos aqueceríamos mutuamente. Poderíamos rir, refletir, dar um tempo um para o outro para filosofias íntimas - essas que se pensam com o âmago, e que tentam escapar por entre os lábios, impedidas por um sensor de segurança devido serem extraordinárias demais para que palavras sejam idôneas de transmiti-las ao mundo - e o mais importante, nos sentiríamos simples e unicamente confortáveis em nossas companhias, como se estivéssemos mais uma vez em casa, mais uma vez em nosso próprio universo paralelo."

Dedico ao Raul <3

domingo, 22 de janeiro de 2012

Ich Bin Die Andere


"- Ele me pegou, me levou pra casa e eu fui sua amante durante muito tempo... Bruno, o caseiro era amante de sua mulher. Carolin só tinha 8 anos. Éramos todos muito jovens, e muito bonitos também. Havia muito amor ali.
- Pra mim isso é exploração, não amor.
- E o que é o amor?"

Há tantas formas de defini-lo com beleza, magnificência e esplendor, mas o amor não é só isso... Não é apenas a parte poética e heroica a qual nos prendemos. A-m-o-r. Depende do ponto de vista, do ponto de referência, de quem observa, de quem dá, e de quem recebe. Depende inclusive de como se quer ver. Da mesma forma que para um miserável, faminto, 100 reais seja muito dinheiro, para pessoas que gozam de grandes fortunas 100 reais é apenas esmola.
E assim é com o amor. Ele se adéqua a forma que incide. O amor pode ser confundido com tantos outros sentimentos, e mesmo assim, não deixar de ser amor. Cada um tem o seu jeito de amar, e ao mesmo tempo, sente tantos gêneros de amor... Um dia, há de se aprender que, quem sabe, todas as formas de amor sejam válidas.

P.s.: Não consegui achar o trailer legendado. Tradução do título: Uma outra mulher, é um filme alemão com roteiro de Peter Märthesheimer (2006). O enredo é um tanto quanto singular, e realmente muito bonito. Aborda assuntos não muito usuais e que causam um certo estranhamento, mas é surpreendente e nos acomete/convida à muitas reflexões. Só vivenciando o filme para sentir.


sábado, 21 de janeiro de 2012

"Não vou atrás de ninguém. Não mais. Não quero precisar de ninguém. Quero seguir livre, entende?"

Mas quem disse que consigo me livrar de toda a carga que carrego dentro de mim, faça-se o que fizer para me livrar... Ela persisti, e continua aqui.
E como fazer quando o desespero me envolve em suas garras aterrorizantes? Para onde correr pra tentar afastar essa neblina pegajosa dos meus pensamentos mais pungentes? E nos momentos em que preciso me afastar de mim, furiosamente, preciso ficar longe, longe de mim e de tudo que me acomete quando baixo a guarda?
Eu acabo caindo em braços que estão abertos para me envolver... Preciso de palavras aveludadas que me acolham antes que eu recorra as únicas coisas que me restam - as lembranças - e acabe me rendendo. Eu findo me envolvendo em outros abraços. E acabo dependente de mais alguém, pra tentar suprir essa abstinência de você. Eu tento fugir, de todas as formas, mas acabo me prendendo em uma das armadilhas dispostas em meu caminho, eu sou fraca, e preciso de ajuda para me defender de mim.
Tem dias que é tão difícil a convivência comigo mesma sem que eu me machuque. Sem enlouquecer. Preciso de alguém que apenas diga tolices que me tirem do meu caminho de perseguição à dor. Qualquer pessoa que me toque e me chame pra fora desse exílio nessa minha mente atordoada.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

sem forças vitais

Eu não sei bem... Já não foi demais perder a única coisa que tinha realmente significativa importância na minha vida? Eu já aprendi a aceitar isso, a conviver com a ausência disso.  Mas preciso mesmo ter que enfrentar tantas almas sem caráter se envolvendo em minha vida? E aceitar tantas desilusões com pessoas que um dia tomei como grandes exemplos à seguir? Estou tão cansada de ser mal interpretada. De não ser levada à sério. Tem gente nesse mundo que parece só querer ver o mal dos outros. Eu paro e observo, e quem se empenha em fazer algo que torne melhor o dia de alguém aqui? Vocês são cruéis, são estranhos, vocês me fazem pensar que tudo isso que vocês fazem é normal. MAS NÃO É. Eu sei lá o que vocês querem. Mas depois de perder, aceitar minha derrota, ter que conhecer todos vocês, ter que me enojar com tudo isso, e desistir de sonhos bobos que eu cativava, eu só quero um pouco de paz.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Não sei como estou...

"E aí, como vai?" Eu perguntava à mim mesma em frente ao espelho. E caindo automaticamente para a caixinha de perguntas sem respostas, esta mesma se silenciava.
Já era verão, mas desde que o novo ano ingressara eu não me recordava de ver o sol. Tempestades de verão, isso era comum na minha cidade, mas eu também não me recordava se isso costumava se prolongar tanto.
Janeiro, um novo ano. Que não tinha nada de tão novo assim, as coisas continuavam quase iguais, só que molhadas. E eu, mais indiferente a cada nascer do sol. Tenho desconfiado que fiquei mesmo em um passado remoto. Não que eu acredite nessa superstição de ano novo, recomeço, vida nova, grandes mudanças... Pra mim intervalos são fins de ciclos, e os ciclos da vida das pessoas não tem data pra começar e acabar, e não se comemoram com votos de esperança, abraços e champagne. Então pra mim, 2012 seria uma continuação estranha de 2011.
Desconfiei de ficar no passado, mas na verdade, eu já havia ficado em partes há muito tempo, só que agora desconfio que fiquei por inteiro... Tenho estado meio distante, até de mim. E eu já não sei mais como me sinto, nem sei se sinto.
Há muito não escrevo, e nem penso em como estou, e sobre o que sinto. Estou esperando pelo fim de cada dia, ansiosa pelo fim dos próximos. Mas não tem sido tão ruim assim.
Sempre que me permito viajo, daqui mesmo desta cama que lhos escrevo, para a Itália, Veneza, sinto o cheiro imaginário de um lugar úmido e ensolarado, viajo para o corpo de Marlena, e amo um outro você. E essa é apenas uma de minhas agradáveis e aliviantes viagens pra longe dessa realidade. Já fui para mais distante, já chorei sentindo as dores de outras pessoas. E me distraí de mim. E fiquei pequeninha aqui dentro, e desaprendi sobre a minha própria dor, e fui feliz por outras pessoas.
Sabe, às vezes se deixar de lado é um ótimo remédio.