segunda-feira, 17 de outubro de 2011
sábado, 15 de outubro de 2011
fluxo de consciência
Hoje, em uma conversa totalmente aleatória, em uma tentativa vã de ocupar a minha mente com alguma outra pessoa dessas que tenho conhecido, e que não me valem um terço do que perdi, eu ouvi algo. Foi banal, um discurso trivial de mais um que tenta ser diferente… Mas me fez refletir.
Refletir sobre coisas que tornei veracidade incontestável em minha vida. E sabe, de fato, às vezes em nossas vidas escolhemos as coisas erradas para acreditar…
É como crer em algo, quando se é criança, inocente, e descobrir algum tempo depois que mesmo que aquilo tenha feito muito sentido durante algum tempo, e que todos tenham feito de tudo para maquiar aquela mentira como verdade, de maneira quase que exímia, tudo não passou de uma mentira… Que queriam te fazer acreditar, e você escolheu acreditar.
Um dia, não mais tão criança, mas certamente ainda tão inocente quanto, eu escolhi acreditar em alguém. Escolhi acreditar em palavras bonitas e bem articuladas. Escolhi acreditar em um sentimento descrito, e para mim, tudo fazia muito sentido em tal descrição. Eu nunca havia conhecido ninguém tão bom, ninguém que se dedicasse tanto à mim, ninguém que me parecesse tão insigne, tão diferente, ninguém que me agradasse em todos os aspectos daquela maneira. Então acreditei, cada dia mais, acreditei como acredito nas coisas que posso ver e tocar, acreditei ao ponto de colocar tal sentimento como um axioma em minha vida, que por mais que eu dissesse não acreditar eu não podia negar à mim mesma que acreditava naquilo com todas as forças da minha vil existência. Acreditei ao ponto de torná-lo parte de mim, em retribuição.
Mas eu já havia, noutras eras, experimentado diferentes sentimentos, havia experimentado o encantamento, a paixão, o envolver-se, o desejar… Não que fosse de todos os seres o mais experiente, mas certamente eu já sabia diferir o que eu mesma sentia, já sabia diferir a paixão do amor. E enquanto eu não o senti, não o fingi, jamais. E você o sabe.
Mas aquela pessoa, tão boa, tão dócil, insigne… Não tinha precedentes. Não sabia o que seria se apaixonar, logo não saberia de modo algum diferir a paixão que sentiu, do amor… mas não o culpo, nem sequer sabe ainda o que é o amor…
Somos responsáveis por nossas escolhas… somos responsáveis pelo que escolhemos acreditar. A culpa é toda minha.
ausência de tudo, abesbinado
Hoje eu queria tanto encontrar alguém. Queria preencher, nem que fosse momentaneamente, esse vácuo que existe em mim com uma boa conversa, e me sentir bem. Eu queria mudar o foco e encontrar novamente pessoas com conteúdo, pessoas que não pensassem apenas em coisas fúteis e supérfluas. Queria falar, mas não apenas uma conversa boba, eu queria falar com pessoas que me olhassem nos olhos, uma conversa de alma, algo que me trouxesse paz, além de tudo.
Eu queria encontrar com alguém agora, alguém que eu tivesse realmente vontade de ver, e de permanecer ali, lado a lado.
Poderíamos flanar, andar por aí, sem rumo apenas. Ou poderíamos também sentarmo-nos em uma praça qualquer, conversaríamos sobre a vida… Metafísica, abstração, falaríamos do que é indelével, do que existe e não se pode ver nem tocar, falaríamos sobre o elixir da vida, sobre a saudade, sobre a dor, e a felicidade, e poderíamos então ficar em silêncio, conversar através de olhares e aprender tudo que o silêncio pode nos ensinar…
Eu queria tanto voltar para casa.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Eu sempre gostei de observar esses tocos de cigarro queimando. Como os restos de um amor. Ambos se consomem aos poucos, queimam vagarosamente. O vento se encarrega de espalhar a fumaça, levando-a para algum lugar distante. Pedaços morrem, se desfazem, mas a chama continua a consumi-lo, ele vai diminuindo. Se gastando. Até que sozinho, se apague, e você precise de outro para satisfazer as suas necessidades...
E há quem jogue fora, antes que chegue ao fim.
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
noticiário;
Passava na tv uma reportagem qualquer, eu nem sequer assistia, mas virei-me mecanicamente no instante em que relatavam um acidente com um "trem" (mas de fato, era um bonde).
- Que bonito! Um tremzinho. Eu não sabia que existiam trens aqui!
Disse zombando, logicamente que estava ciente da existência de tal meio de transporte no meu país, apesar de incomum, mas zombava meu próprio desgosto por morar em um lugar que nunca me pareceu histórico, interessante e encantador o suficiente.
- Agora não existe mais. Você descobriu muito tarde!
Minha mãe falou. Apenas um comentário, descomprometido. Como quem prosseguia com o ar brincalhão e zombatório da "conversa".
Era sempre assim. Eu soltava, sem sequer pensar, um comentário sobre uma coisa aleatória, sem um motivo qualquer, apenas para fingir que pensava em outras coisas e que me interessava por outros assuntos. Mas eu sempre terminava, invariavelmente, de volta ao princípio. Em meu único pensamento. Era quase uma doença. Uma quase loucura. Fixação.
Ela, com esse comentário inocente sobre o meu descobrimento tardio do encantador tremzinho, fez-me refletir sobre tudo o que eu havia descoberto fora de tempo, tarde demais, protelei, adiei, e quando já não havia mais como, ignorei e tentei disfarçar... E quando vi era simplesmente tarde demais. Depois demais. Já não havia chance. Já não havia voz. Já não haviam forças, todas já haviam se esgotado em lágrimas dolorosas do calar-se por não ter mais à quem dirigir a palavra.
Eu apenas queria ter dito, enquanto era tempo, o quanto te amei.
- Que bonito! Um tremzinho. Eu não sabia que existiam trens aqui!
Disse zombando, logicamente que estava ciente da existência de tal meio de transporte no meu país, apesar de incomum, mas zombava meu próprio desgosto por morar em um lugar que nunca me pareceu histórico, interessante e encantador o suficiente.
- Agora não existe mais. Você descobriu muito tarde!
Minha mãe falou. Apenas um comentário, descomprometido. Como quem prosseguia com o ar brincalhão e zombatório da "conversa".
Era sempre assim. Eu soltava, sem sequer pensar, um comentário sobre uma coisa aleatória, sem um motivo qualquer, apenas para fingir que pensava em outras coisas e que me interessava por outros assuntos. Mas eu sempre terminava, invariavelmente, de volta ao princípio. Em meu único pensamento. Era quase uma doença. Uma quase loucura. Fixação.
Ela, com esse comentário inocente sobre o meu descobrimento tardio do encantador tremzinho, fez-me refletir sobre tudo o que eu havia descoberto fora de tempo, tarde demais, protelei, adiei, e quando já não havia mais como, ignorei e tentei disfarçar... E quando vi era simplesmente tarde demais. Depois demais. Já não havia chance. Já não havia voz. Já não haviam forças, todas já haviam se esgotado em lágrimas dolorosas do calar-se por não ter mais à quem dirigir a palavra.
Eu apenas queria ter dito, enquanto era tempo, o quanto te amei.
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